Ilha de Páscoa – Informações Gerais

Viagem realizada em abril/2017

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Meu interesse pela Ilha de Páscoa, surgiu durante uma aula de História quando estava no 6º ou 7º ano. Não era o assunto principal do dia, mas até hoje lembro de uma imagem que ilustrava o livro.

Desde então, aquelas gigantescas estátuas de pedra e todo o mistério que envolve o local permaneceram em meus pensamentos. Sempre que lia algo a respeito, crescia ainda mais o desejo de conhecer esse lugar fantástico.

A Ilha de Páscoa é o tipo de destino que meu marido e eu amamos: exótico, com enorme riqueza cultural e paisagens estonteantes.

E neste ano, o sonho foi realizado! É emocionante pensar que estivemos lá. Passamos 7 dias incríveis, os quais compartilharei nos posts a seguir.

Um pouco de sua história…

Rapa Nui, nome original da Ilha de Páscoa, está localizada a 3.500 km de distância da costa chilena. É considerado o território habitado mais isolado do mundo e foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco.

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Localizada na Polinésia oriental, a ilha foi “descoberta” por um explorador holandês num domingo de Páscoa (daí seu nome), em 1722, sendo posteriormente anexada ao Chile.

Contudo, bem antes da chegada dos europeus, Rapa Nui desenvolveu toda uma História, apresentando uma civilização complexa e singular, a qual teve início com bravos antepassados, alcançou o apogeu, entrou em colapso e quase desapareceu.

É incerta a origem dos primeiros habitantes, mas evidências sugerem que eram típicos polinésios, vindos da Ásia, e que aportaram na ilha por volta de 900 d.C.

Segundo a lenda local, Rapa Nui foi descoberta por povos oriundos da mítica ilha Hiva que, segundo previsão dos sábios que lá viviam, seria submersa e desapareceria devido à subida do nível das águas. Inundações começaram a ocorrer, seguidas de muitas mortes. Certo dia, o deus Make-Make apareceu em um sonho para um dos sábios, dizendo que o ariki (rei) Hotu Matu’a deveria navegar e encontrar a desconhecida Rapa Nui para escapar da tragédia em Hiva.

O rei, primeiramente, envia sete exploradores em busca desta nova terra, a qual recebe então seus primeiros habitantes. Logo depois, ele segue para a ilha com sua esposa Vakai a Heva, sua irmã e seu séquito (cerca de 100 homens), desembarcando na praia Anakena, fixando ali sua residência. O rei Hotu Matu’a batiza a ilha de Te Pito o te Henua (“O umbigo do Mundo”).

Assim, tem início a civilização e cultura Rapa Nui. A sociedade cresce e prospera, clãs são formados e cada tribo estabelece sua aldeia em diversos pontos da ilha. Todos conviviam em harmonia e gigantes de pedra começaram a ser intensamente produzidos, atingindo o auge de sua cultura.

Os moai, impressionantes estátuas feitas de rocha vulcânica, fazem parte de um dos enigmas que talvez nunca serão totalmente compreendidos.

Calcula-se que os moai tenham sido construídos por volta dos anos 1300 d. C. As estátuas possuem em média de 4,5 a 10 metros de altura, podendo atingir até 80 toneladas.

Não se sabe o motivo de sua construção. De acordo com o povo Rapa Nui, os moai foram esculpidos para representar seus ancestrais. Eles eram colocados em plataformas/altares, denominados ahu. Cada clã tinha seu próprio ahu com seus moai posicionados de costas para o mar, olhando para a aldeia, em sinal de proteção. Acreditava-se que os moai guardavam o mana, a energia espiritual de seus antepassados, que permanecia depois de sua morte, influenciando nos acontecimentos do cotidiano. O culto aos antepassados era característico em toda a Polinésia.

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Moai protegendo e olhando para cada aldeia.

Encontram-se quase 900 moai espalhados por todo o território. Teorias indicam que o aumento da população (estima-se que em seu ápice atingiu 10.000 habitantes) e a construção das estátuas e plataformas deram início à queda da civilização Rapa Nui.

Relata-se que, antes da chegada dos primeiros povos, existia na ilha uma floresta tropical, composta de grandes árvores de diferentes espécies. Com o início da civilização, estas árvores passaram a ser utilizadas como combustível para a cremação, para fazer canoas, lanças, arpões e moradias e para uma das questões que até hoje provoca debates acalorados: o transporte dos moai até suas plataformas. Esta é uma das incógnitas que fascinam estudiosos de diferentes áreas de conhecimento. Muitas e diferentes teorias tentam explicar como as gigantescas estátuas eram levadas a distintas partes da ilha.

Uma das hipóteses presume que os moai eram deslocados em pé sobre rolos feitos com troncos de madeira e puxados com auxílio de cordas. O intenso corte de árvores teve como consequência um dos maiores desastres ambientais da História. A preciosa floresta foi dizimada, bem como as diversas aves que lá nidificavam. A terra devastada já não permitia mais o plantio. Com a escassez de recursos e alimentos, tiveram início as guerras entre os clãs que levaram ao colapso desta antiga civilização e também ao fim da era dos moai, os quais foram todos derrubados e suas plataformas destruídas durante o confronto. A fé pela proteção ancestral tinha sido perdida, assim como o poder do rei.

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Muitos moai derrubados durante as lutas internas permanecem caídos (Imagem viaCC BY 2.0). Todos os que hoje são vistos em pé foram restaurados e reposicionados.

Com a influência do rei em declínio, teve início a era Huri Moai e o estabelecimento de um outro sistema de liderança. A partir daí, a escolha do novo líder ocorria pela competição do Homem-Pássaro (Tangata Manu), onde o chefe de cada clã designava seu melhor guerreiro para participar. A prova era duríssima e o vencedor garantia o poder ao chefe de sua tribo durante um ano. Contarei mais detalhes sobre essa competição em outro post.

O período de guerras internas teve fim, mas a sobrevivência ainda era muito difícil e a população foi reduzida. Segundo o povo Rapa Nui,  a situação piorou drasticamente com a chegada dos europeus que traziam consigo as doenças do velho mundo e com as demais consequências de sua “descoberta”. Rapa Nui ainda sofreria muito.

As visitas de povos externos ficaram cada vez mais frequentes. Por volta de 1863, vinte e quatro navios peruanos chegaram à ilha e sequestraram cerca de 1/3 de sua população, levando-os para trabalhar como escravos em minas de guano no Peru.

Anos mais tarde, cem Rapa Nui conseguiram embarcar para retornar a ilha, mas somente 15 chegaram vivos, trazendo consigo novas enfermidades. O povo tão próspero outrora foi tristemente reduzido a apenas 111 pessoas!

Como se não bastasse tanto sofrimento, em 1888 a Ilha de Páscoa foi incorporada ao Chile e arrendada a Enrique Merlet, o qual se associa a uma empresa anglo-escocesa, utilizando o território como fazenda de ovelhas. A população ficou confinada em uma pequena área da ilha, atualmente conhecida como Hanga Roa, cercada por muros de pedras. Os Rapa Nui  foram forçados a trabalhar na fazenda em condições subumanas. Mais tarde, devido às atrocidades cometidas, o governo chileno põe fim ao contrato de arrendamento e a ilha passa a ser administrada pela Marinha do Chile.

Os nativos não se consideram chilenos e nunca se referem à sua terra como “Ilha de Páscoa”, a chamam de Rapa Nui, que significa “ilha grande”. Eles demonstram muito orgulho de seus antepassados e fazem questão de preservar sua cultura. Ficam contentes se utilizamos algumas palavras no idioma local como “iorana” (“oi” e “tchau”) e “maururu” (obrigado). Hoje não existe mais nenhum Rapa Nui “legítimo”, todos têm miscigenação.

De tempos em tempos surgem novas teorias e estudos que tentam obter respostas sobre sua História e claro, sobre os fantásticos moai que se tornaram símbolo de Rapa Nui. Enquanto isso, a ilha permanece com seus mistérios…

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Quando ir

A temperatura média anual da ilha é agradável, gira em torno de 22ºC. O verão é o período mais seco, o calor e sol são intensos, podendo chegar a 30ºC, ótimo para curtir o mar, pois a água estará mais quente. É a alta temporada, a ilha fica mais cheia e as hospedagens mais caras.

No inverno a temperatura fica entre 18ºC a 20ºC, chove mais, mas os meses de maior precipitação são abril e maio. Durante o verão, o sol se põe por volta das 21 horas e no inverno, por volta das 18h30.

Venta bastante na ilha, então é aconselhável carregar um casaco fino, principalmente pela manhã cedo e final da tarde. Protetor solar e chapéus/bonés são indispensáveis durante todo o ano, pois o índice de radiação UV é altíssimo!

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Em fevereiro ocorre o tradicional Festival Tapati, que dura alguns dias e celebra a cultura local por meio de diversos eventos, como competições, rituais, danças típicas, canções, entre outros. Nesta época muitos visitantes desembarcam em Rapa Nui para conferir de perto algumas das tradições e costumes ancestrais. O vídeo abaixo mostra um pouco sobre o que envolve o Festival Tapati:

 Onde se hospedar

A maioria das acomodações está concentrada em Hanga Roa, a “cidade” da Ilha de Páscoa. Como é de se esperar, as hospedagens (e tudo mais) são mais caras que no continente, no geral mais simples, mas há opções luxuosas também. Além dos hotéis, encontram-se hostels e campings para aqueles que preferem gastar menos.

Na avenida principal, Atamu Tekena, encontra-se a maior parte do comércio, como farmácias, mercados, padarias, cafés e restaurantes, lojas, locadoras de veículos, entre outros.

Durante nossa estadia nós ficamos em um camping muito bacana e em um hotel, que também curtimos. Reservamos ambas as hospedagens pelo Booking e falarei sobre elas nos próximos posts.

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Camping que nos hospedamos em Rapa Nui.

Como se locomover pela Ilha de Páscoa

A ilha não é enorme, mas seus atrativos estão espalhados por toda sua extensão, de forma que explorá-la à pé, embora possível, seja um pouco demorado e cansativo. Para se ter uma ideia, de Hanga Roa – onde está concentrada a maior parte dos hotéis – até a belíssima praia Anakena são quase 30 minutos de carro.

mapa ilha de pascoa hanga roa anakena

Para facilitar a locomoção, uma das opções é alugar algum veículo. Na Av. Atamu Tekena e arredores existem algumas lojas para locação, sendo a Oceanic e Insular as mais conhecidas (clique nos sites para ver os valores das diárias). Alguns hotéis também disponibilizam este serviço aos hóspedes.

Os jipes Jimny 4×4 da Suzuki são os mais alugados, mas também há carros maiores, além de scooters, motos, quadriciclos e bicicletas.

Inicialmente, pensamos em pegar um carro para alguns dias e depois moto e bike. Andando pela avenida, encontramos uma loja chamada Mahinatur, a qual apresentava preços mais baixos que os lugares que eu havia cotado. Perguntei para a atendente se rolaria um desconto se alugássemos um Jimny por toda nossa estadia e com a resposta positiva, fechamos negócio. Já estávamos economizando com acomodação + alimentação (levamos comida de Santiago), então nos demos esse super luxo… rs. E foi a melhor coisa que fizemos, nossos passeios foram super confortáveis, práticos e rápidos. Rodamos a ilha inteirinha algumas vezes durante os 7 dias, precisando abastecer somente para devolver o veículo.

À propósito, há somente um posto de gasolina, localizado próximo ao aeroporto, e o preço estava um pouco mais alto que no Brasil (infelizmente não lembro o valor exato).

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Jimny que nos levou a todo canto da ilha.

As vias principais são asfaltadas, mas alguns trechos são muito esburacados. Também há estradinhas de terra bem ruins que levam a determinados pontos de visitação, por isso quase não se vê carros de passeio por lá.

Há sinalização nas estradas e é bem fácil dirigir por lá, não tem como se perder. Nós quase não encontrávamos carros pelo caminho e, embora seja bem tranquilo, deve-se tomar cuidado com o gado e cavalos que circulam livremente pela ilha.

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Condição das estradas da Ilha de Páscoa.

Sem alugar veículo 

Para quem não deseja alugar um veículo, é possível agendar passeios com operadoras de turismo. A loja que alugamos o carro também realiza este serviço, mas não posso opinar sobre, já que não o utilizamos.

Para passeios independentes, além dos táxis, existe o Autobus Ara Moai, um ônibus turístico no estilo Hop on Hop off que faz paradas em diversos pontos da ilha e possui audioguia em espanhol, inglês, francês e alemão. Clique aqui para ver mais detalhes e aqui algumas opiniões de turistas sobre o serviço.

O que fazer e quantos dias ficar

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Há muito o que fazer e visitar na Ilha de Páscoa! Nos próximos posts relatarei nossas aventuras por lá. Além das atividades em terra, pode-se fazer passeios de barco até ilhotas próximas e praticar snorkeling, mergulho com cilindro e surf.

Nós ficamos 6 dias inteiros + meio dia (dia da chegada) e achamos um período ótimo, nem muito, nem pouco. Conhecemos tudo de forma bem tranquila, sem correria, fizemos diversas paradas pelo caminho para fotos ou mesmo para curtir a paisagem e repetimos os lugares que mais gostamos.

Acredito que a duração da estadia dependa muito do estilo de cada viajante, se vai alugar veículo, do que deseja conhecer ou fazer.


Não deixe de conferir as próximas postagens sobre Rapa Nui! 

 

 

 

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4 comentários

  1. Olá Débora, adorei suas dicas da Ilha de Páscoa, estou indo para lá em Janeiro/18 para ficar por 5 nts com meu marido e 2 filhos de 12 e 13 anos. Gostaria de saber o preço atual dos ingressos para o parque Nacional de Rapa Nui. Também se pela sua experiência vc acha que conseguimos visitar a caverna Ana Kakenga sem guia e se indo a pé a partir de Ahu Tahai ficaria muito longe e sobre a praia de Ovahe se a trilha é muito ruim. Muito obrigada!!!

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    • Olá, Ana! Desculpe pela demora da resposta!
      Fico feliz que tenha gostado das dicas, logo mais continuarei o relato de nossa viagem por lá!
      O preço atualizado dos ingressos você encontra aqui: http://parquenacionalrapanui.cl/ticket/
      Nós visitamos a caverna Ana Kakenga sem guia. A partir da “portaria/estacionamento” você caminha por uma trilha (uma boa andança, viu, achava que a entrada da caverna era mais perto!) e quando vir do lado esquerdo (láááá próximo à encosta) um banco de madeira, siga para essa direção. Qdo nós fomos não tinha placa na trilha principal indicando que a entrada era para lá e, por sorte, encontramos duas pessoas lá sentadas que nos mostraram a entrada. A entrada da caverna é um pequeno buraco no chão (fica um pouco antes desse banco).
      Um casal que conhecemos por lá foi à pé até a Ana Kakenga a partir do Tahai, falaram que a caminhada levou quase 1h. Importante: não esqueçam lanternas, lá dentro é escuro. E se forem curtir o pôr do sol como nós, tbm vão precisar de iluminação para voltar. Qdo nós saímos da caverna após o sol baixar, rapidamente ficou super escuro e não há iluminação nenhuma na trilha.
      Para chegar a Ovahe é tranquilo. Deixamos o carro estacionado e fomos caminhando descendo a encosta. Para chegar à faixa de areia é preciso passar uma parte pelas rochas, mas não é difícil, só tomar cuidado.
      Espero ter ajudado e desejo uma ótima viagem, aproveitem muito esse lugar único no mundo! 🙂
      Abraços,
      Angélica

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